A Primavera está a chegar...

Daisypath Anniversary tickers

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Montejunto aqui tão perto...

Estivemos na Serra de Montejunto, dantes conhecida pela Serra da Neve... outros tempos, em que se fundou a Real Fábrica do Gelo, para arrefecer os ânimos de El-Rei e sua Corte!

A água era acumulada nuns tanques e durante a noite, com as temperaturas gélidas da serra, congelava. Era nessa altura, à noite que se dava a dura azáfama de cortar o gelo em blocos e depositá-los em poços, de onde mais tarde eram recolhidos, embrulhados em palha e sarapilheira e carregados no dorso dos burricos que lá vinham de lombo bem fresquinho descendo a serra; daí partiam em carros de bois até ao porto do Carregado, de onde seguiam a toda a brida e por ordem real até Lisboa, onde se derretiam em reais sabores.

Estivemos bem pertinho do cume de Montejunto, aos 666mt (belo nº!) de altitude, de onde se pode espreitar toda a Estremadura em redor. "Num dia de boa visibilidade até se avistam as Berlengas...", diz a guia. A visibilidade não era má, mas havia um pouco de bruma no horizonte, pelo que teremos de voltar a Montejunto para termos essas vistas...

E ficámos com vontade de voltar.

Sim, eu sei... Digo sempre isto... Mas o que querem? É verdade!

O local é bonito, o dia estava solarengo e óptimo para palmilhar terreno, o brotar dos primeiros crocos (umas florzinhas rosadas, rasteiras, tipo bolbos, que aparecem no final do Verão e do Inverno) os aromas de pinheiro, intercalados de alecrim, pontuados aqui e ali de tomilho e menta... Dá vontade de regressar, pois claro!!

Mas nem tudo foram rosas... Não havia cardos, mas alcachofras eram bastantes, agora as sacanas das silvas eram aos milhares! E nem o sabor das frescas e doces amoras apaga os arranhões que as silvas nos infligiram a todos...

E agora vocês perguntam "Atão mas levavam guia... Não andaram por trilhos?"

Andámos, pois... Por trilhos nunca dantes palmilhados era o que parecia!!! Fazendo a ligação entre um trilho e outro pelas silvas e pela cascalheira, entre vegetação que se tinha adensado desde que o trilho tinha sido palmilhado pelos guias...

Mas também se assim não fosse, também a estória não tinha tanta piada...

E esta teve bastante piada!!!

O grande senão foi mesmo a ausência de fornecimento atempado de água pela organização. Em todas as caminhadas que fiz com apoio municipal, tivemos sempre fornecimento de água e barras energéticas a meio! É usual! Mas aqui foi por sorte, que já quase no final na caminhada, ao chegarmos à estrada encontrámos a carrinha da organização e alguém lhe perguntou "Trazes água?" À resposta afirmativa seguiu-se a correria às deliciosas garrafas de água que socorreram os caminhantes sequiosos.

Acho que quase todos já traziamos as reservas abaixo dos mínimos... Sendo uma caminhada paga e realizada por um município, com o apoio de uma entidade bem conhecida nas lides do pé posto ao trilho, esperava uma melhor organização a nível de logística... e mesmo a nível de (re)conhecimento do próprio trilho em si.

Mas contas feitas, o balanço é mais que positivo!

Os arranhões já tão secos, mas as boas recordações perduram!

E mai nada!!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Do Turcifal à Senhora do Socorro

Foi já no Domingo que demos um pulo ao Turcifal, para daí subir à Senhora do Socorro.

Uma manhã belíssima e muito solarenga, com a temperatura perfeita para estas lides da caminhada.

Pé ante pé, lá fomos nós subindo a pouco e pouco e sem termos de pedir socorro, lá avistámos a senhora!

A vista... soberba. Montejunto, Sintra, Mar...

E depois foi só descer... o problema é que o trilho tinha desaparecido por baixo dos troncos de eucalipto que tinham sido derrubados naquela semana!!!

Mas isso não nos impediu... Lá fomos pisando galhos, troncos e folhas, que à nossa passagem largavam o forte aroma "eucaliptar"...

Passámos por várias vinhas, carregadas, carregadinhas, que estamos quase em alturas de vindimas...

Passámos pelo Campo Real, que apesar do verde envolvente, choca visualmente com a restante paisagem campestre da região...

Ora olhamos e temos algumas casas dispersas e cercadas de muito verde, ora aparece aquele vasto aglomerado de casinhas de várias cores que cercam elas o verde mais escuro do campo de golfe... só pra quem pode!

Caminhando mais um pouco lá fomos dar ao destino, de onde partimos, como sempre.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Charneca - Aldeia da Roupa Branca

Começa hoje a Festa de S.Sebastião na Charneca da Venda do Pinheiro.

Mas este ano é diferente.

Este ano, pela comemoração do centésimo aniversário de Beatriz Costa, Charneca engalanou-se, tornou-se mais bonita e mais saloia, transformando-se na Aldeia da Roupa Branca do início do século passado.

Quem quiser e puder apareça e divirta-se.

Mais informações podem ser encontradas em http://jfvendadopinheiro.do.sapo.pt/fssc3.jpg

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Dia 4 em Mondim de Basto

Aproveitámos a solarenga manhã para relaxar na piscina.

Já com um pezinho de retorno a casa, despedimo-nos da paisagem maravilhosa que rodeava o hotel.

E subimos novamente a Senhora da Graça, desta vez de carro, para ver a diferença!

E acreditem, a pé é muito mais divertido.

A estrada serpenteia a toda a volta do monte, parecendo quase um carrocel em espiral ascendente. Mas é por aqui que os carros passam, e os ciclistas também, que a volta a Portugal terminou na semana passada...

Após uns momentos de contemplação, recebemos um telefonema do Fernando, que fez questão de nos mostrar umas escavações arqueológicas que foram recentemente iniciadas.

Acontece que descobriram perto de uma pedreira em Mondim de Basto, totalmente por acaso uma rocha onde aparece representados vários montes, sendo que um deles aparenta nitidamente o Monte Farinha.

Essa rocha já apresenta 2 furos, feitos pelo pessoal da pedreira para implodir a rocha e dela retirar o precioso granito amarelo característico da região.

Foi uma sorte, alguém ter notado que a rocha tinha algo mais do que inicialmente se previa.

Após primeiros estudos, determinou-se que a rocha terá sido esculpida há coisa de 5000 anos. Portanto é mais antiga que as pirâmides e foi feita mais ou menos na altura em que Newgrange foi construído na Irlanda.

O que é mais interessante ainda é que alguns dos desenhos que lá vi são muito semelhantes aos de Newrange. Incluindo as 3 espirais interligadas!

Virá um arqueólogo da Irlanda em Outubro para estudar esta rocha, que por um acaso não foi destruida levando consigo uma representação do Monte Farinha e de alguns montes circundantes.

Foi um privilégio e uma experiência única poder tocá-la e vê-la em primeira mão e temos a agradecer ao Fernando Gomes por isso. Bem-haja!

Visitámos ainda, antes de deixarmos Mondim de Basto, as ruínas do Castroeiro, datado dos séculos I a IV AC.

Também aí vimos desenhos nas rochas, um deles parece uma borboleta... como a da Sr.ª da Graça...

e restos de casas, com contruções semelhantes às das citânias que há em Briteiros e Sanfins.

Tudo isto existe em Mondim.

Eu não sabia. E creio que não era a única ignorante...

Mas agora que sei, vou voltar e recomendo a quem goste de caminhar, de passear, de se cultivar, que vão até esta terra, lá pra trás de uns montes, que não se vão arrepender.

Dia 3 em Mondim de Basto

Depois do Monte Farinha decidimos dar mais umas voltas por Terras de Basto, mas desta vez com um guia da Basto Radical!

Qual não é a minha surpresa quando me apercebo que o guia tem sotaque brasileiro. Pensei eu: "Atão? Como é que um brasileiro veio aqui parar?"

Acontece que o Fernando nasceu em Mondim, mas foi para o Brasil muito novo, com o pai, tendo voltado a Portugal há coisa de 30 anos.

Começou a calcorrear os trilhos de Mondim de Basto que são muitos, deixando-se enfeitiçar pela magia daquelas terras.

Descobrindo novos trilhos antigos, por levadas que já tinham ficado esquecidas pela população.

Ora acontece que o Fernando é também o Presidente da Junta de Freguesia de Mondim de Basto! Portanto tinhamos ali um guia muito especial!

Foi ele quem nos explicou que se chama Farinha ao monte, por este se parecer com um monte de farinha, que fica precisamente com aquela forma cónica... Nada mais lógico.

Explicou-nos também que Ermelo é uma expressão usada para "homem bruto".

Levou-nos pela Levada de Piscaredo.

E mostrou-nos essa maravilha desbravada pelas gentes da terra há mais de um século.

Que com a vinda dos carros e estradas de asfalto se perdeu nas memórias dessas mesmas gentes...

Saltou connosco as poldras do Rio Cabril.

E levou-nos a bom destino, em terras de Basto...

Que assim se chamam devido a um guerreiro que as foi conquistando, ao mesmo tempo que afirmaria "Aqui basto eu!"

Disse-nos ainda que não há tanta gente a querer caminhar, mas está-se a tentar inverter a situação, organizando passeios e caminhadas, através da junta de freguesia http://jf-mondimdebasto.pt/.

É uma terra linda esta!

E é uma pena que as pessoas não a conheçam, com a calma que só se adquire ao caminhar...

Não é de carro que se conhecem as coisas, é saindo do trilho normalmente usado que deparamos com as maiores surpresas...

Descobrimos libelinhas negras que nos acompanharam por parte das levadas.

Passámos por trilhos com aroma de mentas, eucaliptos e pinheiros. Os plátanos estavam lá e davam-nos sombra.

E a água fluia sempre, a nosso lado, mostrando-nos o caminho.

Retornados ao hotel, decidimos espreitar as Fisgas de Ermelo, já no Parque Natural do Alvão.

Apesar de não terem a majestade que adquirem no Inverno, quando o caudal das águas aumenta, vale a pena visitá-las e ir mais acima, ver as lagoas.

Existe um trilho que havemos de explorar com o Fernando, que passa junto ao rio por uma garganta cavada na rocha, até umas lagoas. Mas ficará para a próxima, porque vamos voltar...

Dia 2 em Mondim de Basto

Após uma boa noite de sono e um belo pequeno almoço, avançámos em direcção a Mondim e ao início do PR1, que engloba um percurso de 14km, com os primeiros 5 que são sempre a subir rumo ao Alto da Sr.ª da Graça.

Pé ante pé, lá desbravámos aquele monte,

calcorreando um trilho antigo de lajes por onde se notavam a marca de passagem das gentes e dos seus carros de bois que deixaram sulcos nas pedras...

Subir, sempre a subir, até o cimo do monte estar cada vez mais perto.

S.Pedro, vendo-nos transpirar, resolveu dar uma "ajudinha" e enviar uma chuvinha para nos refrescar...

Mas quando lá chegámos a cima,

o tempo melhorara,

e conseguíamos ver por detrás daquele monte imponente que se destaca de todos os outros pela sua forma cónica, com o vértice marcado pelo santuário da Sr.ª da Graça.

Depois de uns momentos de contemplação, toca a fazer a descida, que ainda faltam 9km até ao final. Passamos ao lado do alto do Palhaço e dos palhacinhos em redor e paramos a contemplar a Pedra Alta, um menir milenar, que alguém resolveu pintar de branco...

Descemos agora por outro lado, mais urbano, mais por estrada, menos bravio. Passamos ao lado do centro de parapente e começamos a entrar na civilização, passando por portas antigas, entradas para um outro mundo...

Dia 1 em Mondim de Basto

Chegámos a Mondim na 6ªF, depois de uma viagem de cerca de 4h. Ainda é um bom pedaço, mas a sorte é que 90% é por auto-estrada...

Seguindo as placas, lá encontrámos o Mondim Água Hotel.

Chegados ao quarto

tinhamos uma paisagem fabulosa à nossa disposição, vista do belo terraço.

O Tâmega fluia lá em baixo, sussurrando-nos a sua canção à distância.

O Monte Farinha, olhava-nos lá do Alto da Sr.ª da Graça, como que a dizer "Espero por vós amanhã..."

Repousei, li, deixei-me envolver pela natureza circundante do hotel, pela beleza das pequenas flores que ali pareciam dançar ao ritmo da brisa.

Já noite, as nuvens aproximaram-se e cobriram o céu de negro, escondendo as mil e uma estrelas que aí luziam.

Envoltos no silêncio, deixámo-nos adormecer...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Acabaram-se as férias!!

Pois é... o que é bom acaba sempre... (e o que é mau também, ufa!)

E assim se acabaram as férias...

Terminaram com vontade de reiniciar, em terras de Basto!

Um local lindíssimo no Portugal interior, nortenho, lá pra trás de uns montes...

Deixou boas imagens, excelentes recordações, novas amizades, enormes descobertas e uma grande vontade de retornar.

E tudo começou com uma reserva num hotel que abriu muito recentemente em Mondim de Basto, o Água Hotel. Uma estrutura muito bem concebida, relembrando os espigueiros da região, com vistas fabulosas sobre o Tâmega e o Monte Farinha.

Quartos espaçosos, decorados num estilo minimalista, evidenciando ainda mais e sempre a vista exterior, trazendo a natureza em redor para o interior do hotel.

Foi lá que estivemos e temos tantas coisas para contar que vou criar vários posts, para não ficar um só muito massudo...!

domingo, 24 de agosto de 2008

Curiosidades sobre a Serra da Estrela

Aqui fica um link interessante para quem queira saber curiosidades sobre a Serra da Estrela e o seu nome, bem como os nomes dos vários penedos, vales e rios que formam a serra. http://www.joraga.net/serradaestrela/pags/521pastor1.htm